Alergias
Verão exige maior atenção para os ataques de borrachudos, pernilongos e miruins
Com as altas temperaturas, picadas são mais frequentes e causam incômodo; vermelhidão e coceira são algumas das características
Alexandre Carvalho - Especial - DP - Alta quantidade de água e umidade também favorecem o desenvolvimento de insetos
Por Victoria Meggiato
victoria.meggiato@diariopopular.com.br
Com a chegada do verão, é comum que alguns insetos apareçam mais. As altas temperaturas fazem com que as pessoas deixem a pele mais exposta e, consequentemente, as picadas de insetos se tornam mais frequentes. As reações de picadas de borrachudos, pernilongos e miruins, também chamados de maruins, são locais, como coceira, vermelhidão e inchaço na região. Apesar de não ser grave, uma picada causa incômodo e transtorno, principalmente para quem está de férias em praias ou locais com a presença de mata.
As espécies
Mosquitos e moscas são insetos da mesma ordem. Os popularmente chamados de pernilongos, borrachudos e maruins, pertencem a diferentes famílias. “Quando a gente fala, por exemplo, dos pernilongos, é um grupo de mosquitos que pertence à família Culicidae, porque tem as pernas longas, e possuem espécies diferentes”, explica o doutor em Entomologia e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Dori Edson Nava.
Os borrachudos são pequenos insetos, com tamanho de um a quatro milímetros. De acordo com Nava, ele chegou na região Sul há pouco tempo. “Até 15 anos atrás, praticamente, era difícil ter borrachudos, e muitas pessoas questionavam o motivo desse inseto ter chegado na nossa região”, diz. Esses insetos foram favorecidos pelas condições ambientais. “Durante esses anos o sistema foi mudando e esses insetos costumam se adaptar a essas condições. Os borrachudos são insetos menos conhecidos e pertencem à família Simuliidae.”
Já os miruins, também chamados de maruins, são ainda menos conhecidos e pertencem à família Ceratopogonidae. “É um inseto que vive mais em locais, vamos dizer assim, brejos. Ele não vive tanto com o homem, então se o homem for nesses locais acaba sendo picado”, destaca. A espécie é conhecida também como mosquito pólvora, por ser menor, de um a três milímetros. Assim como todas as outras espécies, as fêmeas se alimentam de sangue de mamíferos na fase adulta, podendo ser de pessoas ou animais. “Para que os folículos ovarianos, onde ocorre o desenvolvimento dos óvulos, possam ser completados.”
Aumento dos ataques no verão
Os insetos, de forma geral, se desenvolvem mais rapidamente nas altas temperaturas. “Diferentemente de nós humanos, os insetos, para crescerem e se desenvolverem, precisam que a temperatura seja aumentada, ou seja, precisam de altas temperaturas dentro de certos limites, até 30, 32 graus”, afirma o pesquisador.
No verão, com o calor, alta quantidade de água e umidade, o desenvolvimento desses insetos é favorecido. Nava esclarece que, no caso dos mosquitos, a temperatura alta e a presença de água são os dois principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento acelerado e aparecimento desses insetos nesta época do ano. “Os borrachudos precisam de água corrente, não gostam de água parada. Os maruins preferem brejos, praias onde tem mata, locais mais reservados. E os pernilongos gostam mais de água parada, suja, empoçada, onde as larvas irão se desenvolver”, salienta Nava.
Como lidar com picadas e prevenir ataques
Conhecer os lugares mais propensos para esses tipos de insetos é um dos primeiros passos para evitar os ataques. O borrachudo pode ser encontrado em áreas selvagens e é comum que os ataques ocorram no começo da manhã e no fim da tarde. Praias e cachoeiras mais isoladas são o principal foco do ataque. Por outro lado, os pernilongos são responsáveis pelo incômodo no início da noite e os miruins costumam picar durante a tarde
Para tentar evitar as picadas, a dermatologista Alessandra Jaccottet afirma que repelentes e mecanismos de barreira devem ser utilizados quando há suspeita de que possa haver esses insetos por perto. “Evitar sempre que possível a exposição a ambientes que possam ter insetos em demasia, principalmente se alérgicos. É importante evitar coçar pois a infecção e os machucados criam marcas e manchas que podem ser difíceis de manejar e resolver”, diz.
O repelente é um grande aliado, principalmente no verão, para prevenir as picadas de insetos. “Normalmente contém o DEET ou a Icaridina. Particularmente aconselho mais os com Icaridina, pois assim toda a família pode fazer uso. É muito importante olhar e respeitar o rótulo do produto, aplicar da maneira correta bem como reaplicar apenas no intervalo recomendado”, explica a médica. Também é necessário ter uma atenção redobrada se o repelente for aplicado em crianças. “Cuidar a idade recomendada de cada produto. Não usar para dormir, preferir mosquiteiros ou produtos adequados para usar no ambiente para esse fim.”
Em caso de picadas, utilizar antialérgicos, pomadas anti-inflamatórias ou até mesmo específicas para picadas é a principal dica. “Algo que ajuda bastante são loções que contenham mentol e cânfora para ajudar no alívio da coceira. Se for muito intensa, procurar ajuda de um dermatologista pode ser muito importante para evitar marcas na pele permanentes”, finaliza.
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